Tenho saudade da Cáceres de antigamente,
Das ruas que guardavam passos conhecidos,
Das casas antigas, das janelas abertas,
Das tardes lentas à margem do Paraguai,
E do tempo que parecia não ter pressa.
Hoje a cidade veste outras paisagens,
Novas construções ocupam velhos espaços,
O movimento cresceu, os costumes mudaram,
E aquilo que ontem parecia eterno
Agora repousa apenas na memória.
Mas há uma Cáceres que o tempo não derruba,
Escondida nas fotografias amareladas,
Nas histórias contadas pelos mais velhos,
Nos nomes esquecidos de antigas esquinas,
E no coração de quem viveu aquele tempo.
Às vezes caminho pelas ruas de hoje
E encontro, entre prédios e mudanças,
O eco de uma infância distante,
Um rosto que já não está, uma voz que se foi,
Uma cidade que ainda mora em mim.
Não quero que o presente apague o passado,
Nem que a modernidade destrua a memória;
Que Cáceres cresça sem perder suas raízes,
Que cada mudança carregue uma lembrança,
E cada futuro saiba de onde veio.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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