quarta-feira, 18 de maio de 2011

Roubaram-me o cavalo alado



Não posso mais sonhar acordado
Pois, preciso para mim mesmo olhar
A fuga tornou-se obsessão
Para livrar-me do pesadelo ao luar.

Seus olhos me lembram o desespero
De uma vida que sucumbiu ao tempo.
Roubaram-me o cavalo alado
Não tenho como fugir com o vento.

Na penumbra sombria da alma
Busco o caminho da liberdade
Na esperança de encontrar a razão
Que afaste de mim a saudade.

Sou fruto da árvore infrutífera
Que nasceu às margens do deserto
Quero correr nos campos floridos
Nos vales da sombra aqui perto.

Roubaram-me o cavalo alado
Mas, quero fugir mesmo assim
Tirem os grilhões que prendem minhas asas
Quero alcançar seus olhos enfim.

Poema: Odair

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Regresso


Um dia bati asas e voei.
Distante do lar
Procurei viver minha vida.
Os sonhos de liberdade
Os anseios de felicidade
Motivaram-me a sair.
Entreguei-me a vida boemia,
Vivi os amores
As ilusões e os calores do mundo.
Vaguei sem rumo
A esperança se foi
E perdido fiquei.
A saudade de casa
Do abraço carinhoso do pai
O calor da família
Fazia-me lembrar do quanto era feliz.
Agora, abandonado na sarjeta,
Sem rumo na vida
Olho para a casa do pai.
Como voltar?
Com os passos trôpegos e indecisos
Ponho-me a caminhar.
Mesmo que seja tratado como um servo
A vida em casa será melhor do que essa que vivo.
O dia do regresso chegou.
Os olhos de meu pai se enchem de lágrimas.
Para minha surpresa
Ele me abraça e diz:
_ Que bom ver você de volta!

Poema: Odair

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Natal de Stone Halls



Aconteceu em uma pequena cidade do Mato Grosso
No final dos anos oitenta
Circulava pela pequena praça da vila
Uma criança que tinha uma vista atenta.

Na noite anterior, véspera de Natal,
Tinha observado as pessoas em festa
Que passava por ele em meio burburinho
Sem saber que em seu estômago nada resta.

Há poucos dias passados sua mãe tinha ido embora
Deixando que ele pudesse sobreviver
Sem a proteção que só uma mãe pode dar
Em um mundo difícil de crescer.

O pai tinha que trabalhar para sustentá-lo
E com ele não podia, naquele dia, estar.
Enquanto as pessoas festejavam
Para ele não sobrava nem um olhar.

O cheiro suave das carnes sendo assada
Em suas narinas chegavam
Deixando sua fome mais apertada
E uma tristeza que seus pensamentos solapavam.

Não sabia por que passava por aquilo
Pois era uma criança que desejava a felicidade
Que tanto propagavam nesses dias
Mas que, para ele, só existia a saudade.

Com os olhos fundos de tristeza
Olhava para as casas cheias de gente
Sentia-se sozinho naquele universo
E sabia que, para eles, era indiferente.

Em sua cabecinha ficava uma inquirição
Que parecia resposta não ter
Por que falavam tanto em espírito natalino
Se ninguém importava com o seu sofrer?

Poema: Odair

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poema do meu nome I



Onde nasce uma emoção
Deixo ali meu coração, querida,
Ainda que me entorpeça
Insisto em dar-te minha vida
Razão de sentir essa solidão.

Jamais devo esquecer-te
Onde aprendi a te amar
Sei que te desejo profundamente
E não posso viver sem o teu olhar.

Poema: Odair

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O dia em que morri


Ali estava eu
Deitado imóvel e frio naquele caixão
As mãos cruzadas sobre o peito
Roupas novas e uma linda decoração.

Indivíduos transitavam ao redor do corpo
Falando coisas boas a meu respeito
Outros sorriam zombeteiramente
Porque não me conheceram direito.

Pessoas amadas choravam
Deixando transparecer o sentimento
Lembrando dos belos momentos
Em que, juntos nesta vida, caminharam.

Era uma noite de incertezas
Cercada de choros e canções
Iluminando o que fiz nessa vida
Do sentimento e das emoções.

Quatro braços conduziram
O esquife para o cemitério
Lançaram terra sobre o mesmo
E ali acabou o mistério.

Na madrugada fria de inverno
De choro e rosto tristonho
Vi que não estava no inferno
Pois, tinha acordado do sonho.

Poema: Odair

sábado, 17 de julho de 2010

Homens Medíocres



"Os homens medíocres cumprem um importante papel nos grandes acontecimentos unicamente porque não se encontram lá.”

Talleyrand-Périgord, Charles

Acompanhando durante alguns dias o aglomerado de pessoas a perambular pelas ruas de nossa cidade deparei-me com a necessidade de analisar uma questão que, para mim, é bastante pertinente neste momento: a mediocridade humana.
Já escrevi alguns textos sobre o que penso a esse respeito, no entanto, é salutar expor as minhas idéias a esse acatamento.
São pessoas que vivem dias e noites nos bares e botecos da cidade. Não pensam em trabalhar e, muito menos em estudar. Levam a vida só na farra e na gandaia e não tem expectativas de dias melhores.
Passam pela vida.
Existem, mas não sabem o que é viver.
Reclamam do governo, maldizem os acontecimentos, mas não fazem nada para mudar a situação.
Fiquei indignado com isso até que me veio à resposta. Sim! Eles são importantes! Os homens medíocres são importantes.
Sem eles não teríamos os gênios, os pensadores, os intelectuais. Sem eles ninguém me notaria ou daria importância para o que escrevo.
Então me dirigi até um deles e o abracei. Eles não entenderam nada. Mas como iam entender? São medíocres!

Texto: Odair

domingo, 20 de junho de 2010

O que é apego?



"Se você olhar atentamente você verá que existe apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa você não consegue ser feliz."
-- Anthony de Mello.


Essa frase me chamou a atenção para um detalhe: mesmo que não queiramos, somos dependentes de outros. Seja no serviço, na escola ou no lar, sempre nos apegamos as pessoas. Acontece que, com o passar do tempo nos tornamos dependentes dessa pessoa. Por causa disso existem muitas pessoas que sofrem porque se apegam a pessoas que, muitas das vezes, não importa com a outra.

Existe uma crença, no nosso psicológico, de que, sem aquela pessoa não conseguiremos seguir adiante. O que precisamos mesmo para ser feliz é acreditar que isso é possível, ou seja, podemos sim, viver muito bem sem depender de outros. Essa decisão é um tanto complexa porque exige de nós um certo controle do emocional e isso não é coisa muito fácil de se controlar. No entanto, é fundamental para a caminhada que temos pela frente.

Estava refletindo sobre isso quando me deparei com a frase acima e, como uma luz na escuridão, ela abriu minha mente para essa constatação. Corremos sério risco de sermos esmagados pela tristeza e solidão quando percebemos que estamos sozinhos, ou pelo menos imaginamos isso. Mas a maturidade vem com o tempo. No meu caso, em particular, considero-me como um camaleão, isto é, adaptável a situação.

Caio Prado Jr, ao escrever o livro sobre a Formação do Brasil Contemporâneo ele cita em um dos capítulos do livro sobre o Sentido da Colonização, onde ele explica o sentido de certas mudanças no cotidiano do povo que formou o Brasil. Exemplificando isso, creio que também temos um sentido para determinadas ações e, com o tempo, essas mudanças fazem com que a nossa vida tenha novo sentido. Isso é importante do ponto de vista da adaptação. Preciso me adaptar a essa nova forma de vida. Até aqui minha vida tinha um sentido, agora passa a ter um novo. Estou preparado para esse desafio? Creio que sim, mas a certeza só o tempo dirá...

Texto: Odair